Por que apostar na comunicação digital para se eleger?

Em Propaganda eleitoral na Internet por redacao1 Comentário

É inconteste que uma das principais razões de Jair Bolsonaro ter sido eleito presidente do Brasil foi a sua comunicação digital. A campanha de Bolsonaro soube usar como nenhuma outra o potencial das redes sociais. Espelhou-se em políticos norte-americanos que utilizaram a comunicação em rede para fazer uma legião de seguidores e conseguiu materializar em votos o apoio cultivado na Internet.

No início de 2014, Bolsonaro tinha 204 mil seguidores no Facebook. Em quatro anos, o número saltou para quase 10 milhões. No final de 2018, Bolsonaro chegou a 2,5 milhões de fãs no Twitter e a 7,6 milhões no Instagram. Isso sem falar no Whatsapp, plataforma muitíssimo explorada pela campanha do candidato do Partido Social Liberal (PSL). De nanico, o PSL passou para a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, empurrado pelo desempenho de seu candidato nas redes e nas urnas.

Não existe mágica nesse processo, mas dados, métricas e estratégia. É preciso entender o comportamento do público a partir da leitura dos dados e análises dos relatórios e produzir conteúdo sob medida.  Bolsonaro soube fazer isso. Ao contrário de outros candidatos que reforçaram a comunicação digital apenas no período eleitoral, pavimentou seu caminho nas redes ao longo de quatro anos e conquistou milhões de eleitores, sendo apelidado de “mito”.

Ao optar pelo uso das mídias sociais para se comunicar com seus públicos-alvos, o capitão reformado do Exército superou a falta de dinheiro, a falta de uma estrutura partidária robusta e a falta de alianças com grandes legendas.  Apostou forte na instantaneidade e na aura de transparência e conexão que as redes possuem, afastando-se dos meios tradicionais.

Governo vai reforçar comunicação nas redes sociais

Bolsonaro já deu provas de que não pretende abandonar essa estratégia nos próximos anos de governo. Pretende tornar as redes sociais no principal instrumento de comunicação de seu governo. Afinal, é uma forma eficiente e barata de se aproximar da população e aumentar a sua popularidade. Os próximos anos de governo devem ser marcados, portanto, pela comunicação direta entre o presidente eleito e a população em geral – via Twitter, transmissões ao vivo no Facebook, WhatsApp, YouTube, Instagram, aplicativos.

O próprio discurso da vitória de Bolsonaro, no dia 28 de outubro de 2018, é um exemplo desse novo modelo de comunicação. O presidente eleito não se pronunciou numa coletiva de imprensa, como tradicionalmente, preferindo se dirigir ao país por meio de uma live no Facebook. Os anúncios dos nomes dos ministros pelo Twitter também são outro indicativo de que Bolsonaro pretende seguir os passos do presidente norte-americano Donald Trump, que usa e abusa desta rede social para soltar suas controvertidas opiniões.

Mídias sociais continuarão pautando eleições

As eleições de 2020 e 2022 não serão diferentes no quesito comunicação. Aqueles que pretendem se candidatar não podem mais abrir mão dessas novas ferramentas que vieram para ficar. É necessário acercar-se de profissionais da área de marketing digital, capazes de construir campanhas de baixo custo muito eficientes. E colocar mãos à obra desde já.

No Legislativo, um exemplo da eficácia das redes sociais foi a eleição de candidatos fora do sistema político tradicional. É o caso de Sâmia Bomfim, a mais jovem vereadora eleita na cidade de São Paulo, em 2016, e que nas últimas eleições já conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). A jovem driblou a falta de recursos com um arrojado trabalho nas redes sociais.

Em contrapartida, candidaturas para deputado federal que quase esbarraram no limite de gastos foram derrotadas nas eleições de 2018, como as de Ana Paula Junqueira (PP-MG) e Maria Helena Rodrigues (MDB-RR), que informaram arrecadação de quase R$ 2,5 milhões, teto estabelecido pela Justiça Eleitoral.

Marketing político digital é desafio para Justiça Eleitoral

As redes sociais da Internet e outras plataformas virtuais ajudam a combater as desigualdades e permitem que conteúdos sejam espalhados e multiplicados com velocidade em direção a um público segmentado e previamente definido. A sensação de proximidade que perpassam é tal que o eleitor tem a impressão de que o político está falando com ele e lhe agrada a possibilidade de interagir com a mensagem transmitida.

Mas, se por um lado, as redes podem servir para democratizar a mídia, por outro, podem ser objeto de abusos com a utilização de bots, perfis falsos e fake news nas eleições, problemas que preocupam e tornam desleal a disputa na Internet.

Em tempos digitais, a Justiça Eleitoral brasileira já promoveu alterações que foram consolidadas pela  Lei 13.488, de 6 de outubro de 2017, visando a adaptar regras para o marketing político no ambiente virtual. Mas o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconhece que o problema não é de fácil prevenção nem de fácil combate. Há muito que se caminhar para que os abusos sejam coibidos.

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